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“Pensamento Crítico no currículo” (Keynote virtual, a distância)

Robert H. Ennis, Universidade de Illinois, EUA

Depois de terminar uma licenciatura em filosofia e de lecionar ciências durante três anos no ensino secundário, Robert H. Ennis obteve o seu doutoramento na Universidade de Illinois, em 1958. Foi professor de Filosofia da Educação durante 12 anos na Universidade de Cornell e durante 24 anos na Universidade de Illinois da qual é atualmente Professor Emérito. Em toda a sua carreira, R. H. Ennis tem estado muito ativo na área do Pensamento Crítico (PCr), tendo publicado mais de 60 artigos, muitos deles focados no conceito de PCr, apresentado resumidamente na seguinte definição holística: “pensamento razoável e reflexivo, focado na tomada de decisão sobre em que acreditar ou o que fazer”. Muitos dos artigos publicados por R. H. Ennis fornecem análises detalhadas de alguns dos aspetos fundamentais do PCr, como a deteção de pressupostos, credibilidade das fontes, inferências e falácias. Outros artigos tratam de assuntos mais controversos sobre o PCr, como os preconceitos culturais e pessoais. Os resultados destas análises encontram-se na sua obra Critical Thinking. Publicou ainda sobre a avaliação e o ensino de PCr.  Os diversos trabalhos e a longa experiência de R. H. Ennis no sistema de ensino fornecem as bases do seu sítio eletrónico (website) criticalthinking.net, e da sua comunicação no SIPC 2015 que apresenta uma proposta abrangente para incorporar o PCr nos curricula do Ensino Superior.

Resumo: Ennis apresenta uma proposta prática e abrangente para um curso de ensino superior de quatro anos incorporando o pensamento crítico no currículo, numa hipotética Universidade da Sabedoria. Este programa inclui um curso de iniciação ao pensamento crítico, com a duração de um ano, promovendo tanto o pensamento crítico em geral como o específico, em situações do quotidiano e em áreas temáticas mais especializadas; atenção quer às disposições de pensamento crítico, quer às suas competências; infusão extensiva do pensamento crítico noutros cursos; um projeto sénior; um glossário de termos do pensamento crítico; ênfase em métodos de ensino (ensino interativo articulado com a didática, utilizando vários tipos de exemplos, ensinando para a transferência e tornando explícitos os princípios; comunicação em todos os níveis; coordenação; e avaliação. As primeiras versões desta proposta enfrentaram algumas oposições significativas. Em primeiro lugar, o custo e a magnitude das mudanças exigidas para o primeiro ano do curso; em segundo lugar, a previsível resistência às alterações necessárias nas unidades curriculares. O primeiro obstáculo pode ser ultrapassado disponibilizando dois terços do curso on-line (mantendo sessões semanais de discussão); e o segundo, realçando a importância de envolvimento para um ensino efetivo, e apelando para a importância do contributo do pensamento crítico para uma disciplina ou área temática.


“Eficácia, o coração do pensamento crítico” Carlos Saiz

Carlos Saiz Sánchez, Universidade de Salamanca, Espanha

Doutor em Psicologia pela Universidade de Salamanca. Dá aulas sobre pensamento crítico há mais de 20 anos nessa universidade. Dá aulas e conferências sobre pensamento crítico em outras universidades de diferentes países. Publicou um livro sobre pensamento crítico e vários artigos sobre didática, melhoramento de competências de raciocínio, tomada de decisões e solução de problemas. Foi elaborando, durante vários anos, um programa (ARDESOS) de desenvolvimento dessas competências, publicado em coautoria com a Professora Doutora Silvia F. Rivas na revista The Scholarship of Teaching and Learning. Desde 2008 tem desenvolvido, em conjunto com a Professora Doutora Silvia F. Rivas, o teste de pensamento crítico PENSICRAL, já publicado.

Resumo: Pensar criticamente é encontrar a melhor explicação para um facto, fenómeno ou problema, com o objetivo de saber resolvê-lo. Esta é a melhor definição que me ocorre para expressar o que considero essencial no pensamento crítico. Ao entender o pensamento crítico deste modo, estou a indicar que a eficácia é a sua principal carta de apresentação. Além disso, defendo que esta é a forma mais conveniente para alcançar um bem-estar adequado ou a felicidade pessoal – e, portanto, pode convencer-nos de que “pensar bem” é uma das atividades mais interessantes, com a qual nos podemos entreter, e que podemos desfrutar, pelo menos, do conhecimento que nos proporciona. As pessoas procuram, acima de tudo, soluções para os seus problemas e modos de alcançar os seus objetivos. Pensar, para muitos de nós, deve ser um instrumento para atingir os nossos fins. Mas desfrutar do conhecimento, do saber, talvez aconteça depois, não antes. Primeiro, deve-se reconhecer a utilidade da reflexão; depois, quando se está sem mais para fazer, descobre-se que o saber é um fim em si mesmo. Mas isto é apenas o fim da história, a sua parte mais doce, aquela que se gosta de ouvir, a que atrai e convence da necessidade da reflexão crítica. Porém, para não haver equívocos, convém não esquecer que as histórias são sempre agridoces. É necessário entender que, para chegar a esse fim, devemos transitar pelos caminhos tortuosos do esforço e da perseverança, que sem estas sendas nada se alcança, nada se dá. Desenvolver uma boa capacidade de observação para “descobrir” os factos relevantes e dar-lhes um significado único, uma explicação, também única, exige perseverança, dedicação e até mesmo uma certa atitude vital – a saber, a que emana da obsessão por procurar sempre o sentido inequívoco das coisas, ou a atitude que decorre de acreditar sempre que o mundo (incluindo as pessoas) não é nem justo nem injusto, simplesmente é assim, e que a bondade ou maldade depende da natureza das causas que o regem. Os porquês nunca são neutros, e a essência de pensar bem baseia-se em procurar os que são autênticos e únicos. A tese que defendo, por conseguinte, é simples: não existe pensamento crítico sem explicações únicas, as melhores, e não existe eficácia máxima sem estas.


IMG_1541“Contributos da Didática para o Pensamento Crítico na Educação em Portugal” 

Rui Marques Vieira, Universidade de Aveiro, Portugal

Professor da Universidade de Aveiro e Investigador no Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores – CIDTFF. Realiza investigação (as sua dissertação de Mestrado e Tese de Doutoramento focaram-se no Pensamento Crítico em alunos do Ensino Básico e nas práticas dos Professores deste nível de ensino) e formação em Pensamento Crítico na Educação, particularmente na formação inicial e pós-graduada de Professores na área da Didática das Ciências.

Resumo: Na sociedade atual marcada pelos avanços da ciência e da tecnologia o pensamento crítico [PC] tem-se afirmado como uma das chaves para se responder com sucesso aos múltiplos e complexos desafios que todos vão enfrentando ao longo da sua vida. Daí que, em diversos documentos e estudos internacionais e nacionais, esta seja uma meta educativa tendo em vista que as crianças e os jovens desenvolvam uma ampla compreensão não só sobre as ideias chave e principais teorias explicativas sobre o mundo natural que a ciência e a tecnologia têm para oferecer, mas também sobre o como a ciência funciona, isto é, sobre o como sabemos o que sabemos e por que tal é importante (Tenreiro-Vieira e Vieira, 2013). Neste contexto e tendo como referência a investigação em didática, especialmente das Ciências, que se tem realizado ao longo dos últimos anos em Portugal, focada no PC, procura-se sintetizar os seus principais contributos na educação. Entre estes estão os relativos à clarificação concetual e quadros de referência para o ensino e a formação de professores, bem como ao desenvolvimento de recursos educativos e às estratégias de ensino e de aprendizagem orientadas para o promover do PC. Os resultados de diferentes estudos realizados neste quadro têm sido promissores porquanto revelam, por exemplo, que as atividades e recursos educativos desenvolvidos e focados explicitamente na promoção do PC apontam para ganhos estatisticamente significativos no nível de pensamento crítico dos sujeitos envolvidos, quer de alunos, quer de professores participantes em programas de formação. Por sua vez, a definição operacional de Ennis tem sido o quadro de referência para o desenvolvimento de tais atividades e recursos bem como para a tornar estratégias e abordagens focadas na promoção deste tipo de pensamento, como é o caso do questionamento FA2IA. Da revisão destes estudos também resulta evidente que as principais áreas de investigação têm sido as ligadas às dimensões operativas das práticas didático-pedagógicas dos professores, particularmente das atividades, dos recursos e das estratégias de ensino e de aprendizagem no ensino básico. Urge alargar a outras categorias, como as concetuais ligadas ao papel do ensino e do professor e a dimensões, como a do ambiente de sala de aula, bem como a outros níveis de ensino, como o ensino secundário e superior.